Alimentação saudável, exercício físico e sexo ajudam a viver mais

1 de fevereiro de 2022

Para dar aquela ‘forcinha’ e ajudar quem está pensando em viver melhor e mais saudável, o BN conversou com especialistas que recomendam exercício físico, reeducação alimentar, meditação e sexo para aumentar a expectativa de vida

Jonária França

Equipe BN

Nova Mutum (MT) – Quando se fala em qualidade de vida, logo vem na cabeça a prática de exercício físico, uma alimentação equilibrada e hábitos saudáveis (entre eles, a dieta, o sono equilibrado e a fuga do estresse). E quem está decidido a mudar de vida, logo em seguida traça suas metas para serem colocadas em prática. É que esses hábitos saudáveis, além de deixar a pessoa mais disposta para executar tarefas diárias realmente contribui para ajudar a ampliar o tempo de vida das pessoas.

Senão vejamos: recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma pesquisa que mostra ter havido um aumento de dois meses e 26 dias na expectativa de vida do brasileiro. Com isso o tempo de vida no Brasil passou a ser de 76,8 anos em 2020 contra 76,6 anos em 2019. Um dado interessante é que as mulheres continuam vivendo mais que os homens e podem chegar a 80,3 anos, enquanto o sexo oposto vive sete anos a menos, portanto, até 73,3 anos de idade, em média.


Mas a ideia aqui não é discutir sobre quem vive mais e sim, mostrar o que tem contribuído para a longevidade das pessoas, por isso, se você é do time dos que querem viver mais e melhor, preste bastante atenção nas recomendações dos especialistas.


O médico geriatra amazonense e diretor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (Funati), Euler Ribeiro, garante que o segredo de uma vida longa está em dormir bem, comer menos gordura, comer mais frutas e verduras, não se estressar e fugir das grandes temperaturas, tanto as baixas quanto as altas.


Aliado a tudo isso, fazer caminhadas por pelo menos 30 minutos todos os dias, beber pelo menos 30 ml de água por cada quilo de peso todos os dias, são algumas das recomendações do médico, que aconselha também “você vai viver mais, principalmente, se você se doar para as pessoas, cuidando da sua família e fazendo amor”.


Qualidade de vida

Doutor em gerontologia e especialista em geriatria com vasta experiência em pesquisa na área do envelhecimento no Amazonas, o reitor da Funati explica que no século passado o brasileiro tinha uma expectativa de vida que não ultrapassava 45 anos. Quando terminou o ano 2000 passou de 45 para 70 anos as mulheres e 66 ou 67 para os homens.


“Nós esperávamos que no século 21 ganhássemos sete ou oito anos a mais de expectativa de vida, mas chegou a pandemia e com isso, reduziu bastante a nossa expectativa de vida. Por isso hoje as mulheres estão vivendo mais ou menos 72 anos e os homens três ou quatro anos a menos no Brasil”, salienta Euler Ribeiro.


Para uma vida mais longeva, o médico avalia ser necessário alguns cuidados com os vieses naturais do envelhecimento, ou seja, o sono, a dieta, o exercício, a fuga do estresse e a hereditariedade. “Se nós mantivermos esses vieses todos dentro dos padrões vamos viver cada vez mais”, garante.


Portanto, dormir adequadamente e se cuidar desde muito cedo com a prática de exercícios físicos são os aliados importantíssimos para uma vida longeva. Euler Ribeiro orienta a caminhada como a melhor atividade física, além de uma alimentação que priorize comer de três a quatro vezes no dia, beber água de hora em hora, não exagerar em gorduras saturadas, evitar as frituras, comer mais folhagens verdes - os vegetais verdes de uma maneira geral - e frutas, bastante frutas.


“A saúde e a qualidade de vida dependem de cada um de nós. Se a pessoa dorme no mínimo oito horas por dia (para adultos), descansa de 15 a 30 minutos após a maior refeição, que é o almoço, toma no mínimo 30 ml de água por cada quilo de peso todos os dias, não come fritura, caminha todos os dias no mínimo 30 minutos, o fator hereditariedade não vai influenciar muito na sua qualidade e na longevidade”, assegura o médico.


Alimentação saudável

Na corrida para viver bem e mais os alimentos são muito importantes, principalmente os frutos e as proteínas, mas, de acordo com Euler Ribeiro, o ideal é optar por proteínas de origem e baixo peso molecular, que são as aves e os peixes, especialmente os amazônicos.


“O jaraqui é de baixo peso molecular, tem mais ômega três que o salmão. Comam jaraqui, de preferência grelhado ou cozido”, diz o médico ao ressaltar que no Amazonas existem 412 mil idosos de 60 anos ou mais e que o tempo médio de vida do amazonense hoje est=a em torno de 69 a 70 anos.

Euler Ribeiro garante que a caminhada ainda é a melhor atividade física para uma vida mais saudável


Apesar desses dados, o município de Maués (distante 258.40 quilômetros de Manaus em linha reta), chama a atenção por ter uma população vivendo acima de 80 anos. “O IBGE diz que lá 1% da população estava acima de 80 anos e nós constatamos isso”, afirma o médico que possui pesquisa (https://url.gratis/3lhDE0) mostrando a longevidade na terra do guaraná.

Na pesquisa foi observado que os mauesenses (pessoas que nascem em Maués) fazem muito exercício físico, caminham na floresta e remam bastante. Também tomam muita água e costumam se proteger das temperaturas extremas usando chapéu e camisas de mangas compridas.


Frutas da floresta como castanha do Pará (ou do Brasil), guaraná, camu-camu, açaí, guabiraba e patauá, ricas em proteínas e vitaminas, que dão energia, fazem parte da dieta alimentar da população de Maués e, segundo Euler Ribeiro, as que são oleaginosas (castanha do Pará e patauá, principalmente) não obstruem os vasos sanguíneos.


Euler Ribeiro também diz que é importante se preocupar com precocemente com o envelhecimento, pois esse é o ritmo da vida. Ele considera que a yoga e meditação podem contribuir para uma vida mais longeva com qualidade, mas sua receita ainda é a caminhada. “De 30 minutos todos os dias, um passo por segundo, 60 passos por minutos”, diz.


No Amazonas, de acordo com o médico, os idosos são mais bem assistidos pelo Poder Público, que tem se interessado pelo envelhecimento da população e investido em centros de convivência para habilitar as pessoas que envelheceram a permanecer envelhecendo com qualidade. “Tanto é que temos a primeira universidade voltada para o envelhecimento que é a Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, que ensina a pessoa a envelhecer com qualidade”, conclui.


Xô sedentarismo

Alimentação saudável e exercício físico são duas receitas certeiras para se ter qualidade de vida e, consequentemente, viver mais. Foi apoiada nessa ideia que a artesã Leivijane da Silva Moreira (37) e a professora de inglês Simone Medeiros (46) decidiram “virar a chave” e deixar o sedentarismo de lado para viver melhor.


Desde que as duas resolveram mudar os hábitos estão mais dispostas. “Tudo começou porque eu queria ter mais fôlego, perder peso e melhorar a saúde”, explicou Simone, que passou a se exercitar em cima de um par de patins. Ela garante que foi excelente para o corpo e a mente. “Quanto aos patins era um grande desfio a ser superado, um sonho a ser realizado. E consegui”, diz.

A professora Simone Medeiros ganhou vida nova e realizou o sonho de se exercitar andando de patins