Campanha Fevereiro Laranja alerta sobre a leucemia

21 de fevereiro de 2022

Prestes a completar 7 anos no próximo dia 26, o estudante Matheus Vinicius Caetano Amaral já pode dizer que é vencedor de um tipo de câncer que acomete as crianças. Ele tinha apenas dois anos quando os pais receberam o diagnóstico da Leucemia Linfóide Aguda (LLA).

“Nenhuma mãe imagina receber o diagnóstico de leucemia. Matheus nasceu prematuro de 31 semanas, e quando estávamos superando a prematuridade, descobrimos a leucemia. No primeiro momento perdemos o chão. Mas depois, graças a Deus, à doutora Ana Luiza, que é um anjo em nossas vidas, e toda a equipe de profissionais que nos assistiram, vimos que era possível superar a doença com muito amor, fé e dedicação”, contou, emocionada, a mãe do Matheus, a nutricionista Gislaine Caetano, de Curitiba (PR).

O tratamento do Matheus teve duração de dois anos e meio. “Devido ao diagnóstico precoce e a ele responder bem ao tratamento, não houve indicação de transplante de medula óssea (TMO), mas foi realizado um tratamento intenso e doloroso cujo protocolo seguia a combinação de quimioterápicos”, revelou Gislaine.


Cada quimioterapia era um passo para vencer a doença, detalha a mãe do Matheus. “Sempre comemoramos cada quimioterapia realizada, cada pequeno progresso, sempre mostrando ao Matheus algo de positivo em meio ao mundo oncológico, sempre em contagem regressiva para o término do tratamento, agradecendo sempre. Hoje agradecemos porque Matheus superou a doença e tudo o que passamos nos tornou mais gratos. Hoje vivemos mais intensamente e comemoramos cada pequeno detalhe do que é a vida”.


Matheus está em remissão total desde setembro de 2019, e faz exames de acompanhamento a cada dois meses, antes eram mensais. “Mas já acreditamos na cura plena!”, comemora a nutricionista.


O Matheus não precisou de transplante de medula óssea, mas muitas crianças precisam, por isso para conscientizar sobre a patologia e estimular para que mais pessoas se tornem doadoras de medula óssea, todo ano, o mês de fevereiro é dedicado à campanha Fevereiro Laranja.


A cor laranja foi escolhida para simbolizar a conscientização sobre a leucemia e a importância dos doadores de medula óssea.


A leucemia é um tipo de câncer que tem origem na medula óssea, onde são produzidas as células do sangue. As células leucêmicas, da medula, atingem o sangue e infiltram os gânglios linfáticos, o baço, o fígado, o sistema nervoso central, os testículos e outros órgãos.


Na criança que desenvolve leucemia, essas células se tornam anormais, não realizam suas funções e se multiplicam rapidamente, tomando o lugar das células saudáveis na medula e no sangue.


Fatores

A oncologista pediátrica Ana Luiza de Melo Rodrigues, médica do Matheus, explica que os fatores de risco e prognósticos para a LLA são a idade da criança no diagnóstico, a contagem de leucócitos (células de defesa) no hemograma, além dos exames como imunofenotipagem e cariótipo, que revelam o comprometimento do sistema nervoso central ao diagnóstico e resposta precoce à terapia.


No caso da leucemia mieloide aguda (LMA), são fatores de risco: exposição pré-natal (ao álcool, pesticidas e infecções virais), exposição ambiental (radiação ionizante, infecções virais, pesticidas, solventes orgânicos como o benzeno, dentre outros), além de doenças hereditárias e doenças adquiridas.


Sintomas e sinais das leucemias

Nas leucemias agudas infantis, geralmente os sintomas são cansaço, palidez, aumento do abdome por hepatomegalia (fígado aumentado de tamanho) e/ou esplenomegalia (baço aumentado de tamanho), dor óssea, linfadenopatia (aumento dos linfonodos, em especial na região cervical), febre (em consequência de infecções), petéquias (pontos vermelhos no corpo, que não somem quando pressionadas), hematomas, sangramentos - em especial de gengiva e nariz -, hipertrofia gengival, nódulos e infiltrações cutâneas.


O oncologista pediátrico tem papel fundamental no tratamento da criança. “Cabe ao oncologista gerenciar o atendimento ao paciente durante todo o curso de sua doença e isso já começa com o diagnóstico, ao explicar sobre a doença, o estágio, as formas de tratamento, as opções e como deverá ser conduzido, para que se obtenha o melhor prognóstico. Ele vai guiar a família e a criança pelo caminho que vai do diagnóstico até a cura”, pontua a médica, que é coordenadora do Grupo de Estudos de Leucemia Mielói