Consciência Negra: um despertar em favor da humanidade

20 de novembro 2021

Por: Dora Paula

Da equipe do BN


Para entender melhor o significado do Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro (data da morte de Zumbi dos Palmares), o BN Amazônia ouviu algumas pessoas que “sentem na pele” o preconceito, e pesquisou muitos olhares na tentativa de contemplar a diversidade brasileira sem perder o respeito e a certeza de que nenhuma luta dever ser em vão.

“Lembrar do dia 20 de novembro é lembrar da luta dos movimentos negros que vieram antes de mim para que eu estivesse aqui. Então 20 de novembro lembra resistência”. Essa fala da professora Rafaela Fonseca da Silva, que se declara mulher preta e é membro fundadora da Associação das Crioulas do Quilombo do Barranco de São Benedito, situado no bairro Praça XIV, zona Sul de Manaus, pode parecer clichê para parte dos 91 milhões dos brasileiros declarados brancos, mas ela faz muito sentido para grande parte dos 14 milhões de negros que vivem no Brasil e, ainda, para parte dos pardos - que são frutos da miscigenação entre pretos e brancos, e somam 82 milhões de pessoas em nosso território.

Rafaela Fonseca da Silva membro fundadora da Associação das Crioulas do Quilombo do Barranco de São Benedito, no bairro Praça XIV na Zona Sul de Manaus.


De acordo com o mais recente censo demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), órgão do Governo Federal responsável pelo levantamento de dados e informações do país, publicado em 2010, além de brancos, negros e pardos, existem, ainda, os amarelos e indígenas que juntos somam cerca de um milhão de cidadãos e representam uma minoria da população - que por vezes também é alvo de preconceito.


Dados do censo demográfico do IBGE no ano de 2010


“Para quem nunca viveu a experiência do racismo deve ser mesmo difícil entender a nossa luta e aceitar nossas conquistas”, desabafa Rafaela. Ela avalia como grandes avanços a implementação da cota racial para ingresso em universidades e concursos públicos federais, por exemplo, como forma de reparação a invisibilidade social dos grupos étnicos minoritários; e da Lei que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor (Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989).


E para compreender os próprios conceitos e opiniões formados antes de aprofundar o conhecimento sobre determinados assuntos é importante conhecer o significado da palavra racismo, que segundo o dicionário Michaelis, da Língua Portuguesa, significa (1) “teoria ou crença que estabelece uma hierarquia entre raças”; (2) “preconceito exagerado contra pessoas pertencentes a uma raça diferente, geralmente considerada inferior”; (3) “atitude hostil em relação a certas categorias de indivíduos”.


Em linhas gerais, o racismo ou preconceito racial é caracterizado pela opressão de uma etnia com mais “poder” sobre a outra. Quando se fala de racismo reverso, ou seja, do preto contra o branco, parte-se da ideia de que o grupo desfavorecido está oprimindo seu opressor e isso não é possível, segundo o juiz João Moreira Pessoa de Azambuja, da 11ª Vara de Goiânia.


Em processo envolvendo um jovem negro, autodeclarado indígena, da etnia Guarani-Kaiowá, acusado do crime de racismo por publicações sobre pessoas brancas no Facebook, o magistrado registra que o objetivo da norma é o de proteger as minorias, especialmente negros e índios, contra a discriminação proveniente dos grupos sociais dominantes. “Na sociedade brasileira, a pessoa branca nunca foi discriminada em razão da cor de sua pele (...) jamais existiu, como fato histórico, a situação de uma pessoa branca ter sido impedida de ingressar em restaurantes, clubes, igrejas, ônibus, elevadores etc”, completou.


E é essa reparação que busca o “movimento antirracista”, segundo a atriz negra Zezé Motta, uma das principais personalidades da campanha “Imagina a dor, adivinha a cor”, que se apresenta em defesa da vida e contra a letalidade do Estado em relação aos negros.