Crítica: ‘Vida de Cão’ mostra a beleza dos vira-latas e a dureza das ruas

21 de agosto de 2021

Vira-latas são sempre os cães mais bonitos e quem discorda, discorde na sua casa. Se você também queria ganhar na Mega-Sena para salvar todos os cachorros e gatinhos da rua e dar a eles o santuário que merecem, com muito carinho, amor e atenção, “own” é o som que você vai fazer várias vezes seguidas assistindo ao filme ‘Vida de Cão’.


E os “own” no documentário de Elizabeth Lo (‘Hotel 22’), que estreia nesta sexta-feira (20), são tanto pela fofura dos animais como pela tristeza por causa da situação deles nas ruas. O longa foi filmado na Turquia, país em que é proibido capturar cães nas ruas e sacrificá-los, entre 2017 e 2019. Os bichos recebem uma etiqueta na orelha.


O primeiro cachorro a aparecer no filme é Zeytin, um caramelo lindíssimo que poderia muito bem ser brasileiro. De aparência forte, as pessoas que o veem nas ruas o alisam, elogiam e, por vezes, o ajudam. Mas, como em todo lugar, há quem tenha medo de um cachorro de rua, sempre os enxergando com uma pecha de mau.


Para aqueles que acham que o aperto no coração se resume aos animais de rua, o filme de Elizabeth Lo acompanha o grupo de meninos que cria Zeytin e outros cães. Os garotos são da Síria e foram para a Turquia fugidos da guerra civil no país. Um deles afirma estar em Istambul há dois ou três anos, também sem um lugar para morar.


Os jovens são cuidadosos com Zeytin e Nazar, uma cadela que também vive com eles. O documentário é cru e não romantiza a difícil situação do grupo. Para esconder a fome, os meninos acabam recorrendo a drogas, como cigarro e cola. Sempre, porém, dão um jeito de alimentar os bichos.


Há ainda Kartal, um terceiro cachorro que tem pais e irmãos e é cuidado por um trabalhador de uma obra. É no local que toda a situação é bem resumida por um dos homens que aparece brevemente no documentário: “eles (os garotos) fazem mal a si mesmos, mas não fariam aos animais”.


‘Vida de Cão’ tem uma proposta interessante e é um documentário bem feito e com belas imagens dos cachorros. Vale o aviso, porém: aqueles que se preocupam com os direitos dos animais vão sair de coração apertado e até um pouco tristes. O recado que fica é: não compre, adote!



Fonte: olhardigital.com.br