Dia Internacional: Empreendedorismo avança entre as mulheres

8 de março de 2022


Mesmo diante de todos os desafios, a mulher continua lutando em busca do seu espaço na sociedade


Mayane Batista

Equipe BN

O empreendedorismo é um importante aliado das mulheres atualmente


(Manaus-AM) - O Dia Internacional da Mulher celebrado nesta terça-feira (8) é uma data que simboliza e remete à luta feminina por igualdade salarial e melhores condições de trabalho. Atualmente, a luta é também contra o machismo e à violência..


Hoje, um importante aliado nessa luta é o empreendedorismo feminino. Mesmo diante dos desafios que enfrentam, essas mulheres, que geralmente são mães e chefes de família, mantém a luta em busca de seu espaço na sociedade, independente de qual for à sua condição, especialmente quando se trata da mulher empreendedora.


Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (PNADC), realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), às mulheres vêm se destacando no meio empreendedor, abrindo seus próprios negócios.


O Brasil fechou o quarto trimestre de 2021 em 10,1 milhões de novos empreendimentos, mesmo resultado registrado no último trimestre de 2019, antes da pandemia.


Em 2020 o número de mulheres empreendendo deu uma recuada no segundo trimestre com um total de 8,6 milhões. Diante desse quadro da participação feminina no mundo empreendedor, o país registrou que está abaixo da marca histórica com 34% em 2021, uma vez que no 4ª trimestre de 2019 apresentava 34,8% no total.


O Sebrae aponta que o nível de escolaridades das mulheres que estão no ramo do empreendimento cresceu e que a diferença no número de mulheres com pelo menos o Ensino Médio aumentou também em relação aos homens, entre os trimestres de 2019 e 2021. A participação feminina também aumentou o crescimento nos setores de informação/comunicação e educação e saúde.


Boa notícia

No Amazonas o empreendedorismo feminino vem crescendo a cada ano, tornado a mulher dona do seu próprio patrimônio, como é caso da técnica de enfermagem, Amanda Mikelly da Costa Cardoso, 26, mãe de um bebê de dois anos. Apesar da profissão, que não exerce atualmente, buscou sua independência financeira no ramo da beleza e bem-estar da mulher, montando seu próprio espaço com especialidade em cílios, sobrancelhas e cabelos (@studio .amanda_mikelly). Mesmo diante do desafio de ser mãe e ter seu próprio negócio, Amanda Mikelly enfrentou vários desafios para conquistar seu sonho.

Amanda Mikelly investiu no negócio próprio para ter autonomia financeira e se deu bem


Um dos motivos que mais levou Amanda Mikelly a empreender foi a questão familiar, após o nascimento do seu filho, além da vontade de construir algo que fosse seu sem ter que trabalhar para os outros.


Para isso, teve o apoio do seu marido, fez curso profissionalizante na área e com o dinheiro que recebia do Auxilio Emergencial no valor de R$ 600,00 investiu na sua primeira chapinha e secador, iniciando seu serviço na própria área de sua casa.


“Quando me passou pela ideia empreender foi bem difícil. A gente recebe críticas e mais críticas. Meu marido foi uns dos que mais me motivou a meter a cara. Foi quando comecei a fazer os cursos, trabalhar na área e iniciei com cabelo. Lembro muito bem quando recebi meu primeiro auxílio emergencial. Comprei a chapinha e secador para pagar parcelado”, contou.


Amanda conta ainda que iniciou lavando o cabelo das clientes na pia de sua casa. “Isso me motivou mais a querer crescer na área e construir meu salão”, acrescentou Amanda. Ela lembra do grande susto na sua nova atividade enfrentado no pico da pandemia da Covid-19, quando o Estado entrou na pior crise e ela teve que fechas às portas por conta do número de casos. “Foi então que veio a preocupação, pois nesse período, o negócio começava a dar retorno, mesmo que ainda pequeno e com pouca estrutura. Eu fiquei desesperada porque apertou com as dificuldades. Meu marido trabalha, me ajuda, mas eu não podia ajudar ele nas contas de casa. Foi bem difícil. Pensei em desistir e ir atrás de um outro trabalho, entretanto ele sempre me incentivou a não desistir, aguentar mais pouco, ter paciência que isso ia passar”, frisou.


A empreendedora reconhece que iniciou com a cara e a coragem. “Não tinha uma estrutura boa que pudesse oferecer para suas clientes. Não tinha maca, não tinha condicionador de ar, uma cadeira boa, um espelho bonito, uma chapinha boa”.

Mas a falta de estrutura é passado para a profissional que com dedicação e superação conquistou seu espaço onde suas clientes podem se sentir bem à vontade. “Me aperfeiçoei em cílios e sobrancelhas e hoje é o que mais faço, além de alisamento de cabelo”, comentou.


O caminho

A nascimento de seu filho foi o maior fator de motivação que levou a técnica de enfermagem a enveredar pela nova profissão, em um negócio próprio. Para dar atenção a sua criança, deixou o emprego de Cuidadora de Idosos e deu início ao negócio, de onde tira o sustento de casa. “Meu bebe tinha apenas nove meses. Foi a alternativa que tive por ter me identificado com a área da beleza e também para ter meu negócio e poder ficar mais próximo do meu filho e cuidar dele. No início foi bem difícil conciliar as duas coisas”, afirmou.


Segundo ela, hoje com a criança maiorzinha, concilia o atendimento com a atenção ao filho. “Eu sempre reservo um horário para as clientes e dá tudo certo. Ele fica comigo o tempo todo. Se hoje temos um rendimento maior, é porque não pago ninguém para ficar com meu filho. Eu posso ficar”, finalizou.