Em reestruturação, Barcelona vira "intruso" em semifinal; veja como chega o rival do Flamengo

22 de setembro 2021

Adversário do Flamengo na Libertadores, na noite desta quarta-feira, no Maracanã, o Barcelona de Guayaquil, do Equador, é considerado por muitos um "intruso" entre os brasileiros na semifinal da Libertadores.


Mas, apesar da queda rendimento do time nos últimos jogos, ao contrário do que muitos pensam, de "patinho feio" a equipe equatoriana não tem nada, como mostra a trajetória do time nos últimos anos.


Para saber mais detalhes do rival rubro-negro na luta pela tão sonhada vaga na final, o ge conversou com dois jornalistas que acompanham o clube, Ramon Morales, da GOL TV, e Luis Quiroz, do La Red, para preparar um Raio-X e destrinchar a equipe, que vive processo de reestruturação e deixou pelo caminho em 2021 Santos e Fluminense.

Processo de reestruturação

A diferença financeira entre Flamengo e Barcelona de Guayaquil é gritante. Enquanto o Flamengo trabalha com investimentos altos e elenco renomado, a equipe equatoriana busca reestruturação após gestões ruins e uma grave crise financeira, agravada pela pandemia da Covid-19.


Mas este momento vivido pela equipe de Guayaquil se assemelha ao que Rubro-Negro passou a viver em 2013, ao tentar quitar as dívidas e arrumar a casa para alcançar voos maiores. Este processo é detalhado pelos jornalistas equatorianos.


Ramon Morales, GOL TV: No Barcelona sempre houve uma certa irresponsabilidade financeira de algumas diretivas. Administrativamente sempre houve problemas e, com a chegada da Liga Profissional do Equador (Liga Pro), as equipes não podem arriscar ou contrair mais dívidas como antes. Há ordem em termos de despesas financeiras e registro de jogadores. Essa atual liderança, comandada por Carlos Alfaro Moreno, está fazendo todo o possível para seguir em frente. Foram anos complicados devido à pandemia e sem bilheteria devido à falta de público no palco.


Luis Quiroz, La Red: O Barcelona tem muitas dívidas, mas a atual diretoria está pagando. São dívidas de gestões anteriores. Os que estão agora são mais responsáveis.

Grande campanha na Libertadores

O Barcelona de Guayaquil foi um dos destaques da primeira fase da Libertadores. O clube se classificou em primeiro em uma chave com Boca Juniors e Santos - que acabou eliminado na chave. A equipe fez 13 pontos e só teve uma derrota, fora de casa, para o The Strongest, da Bolívia, em La Paz. A campanha foi melhor que a do Flamengo, que avançou com 12 pontos para o mata-mata.


Nas oitavas, o Barcelona superou o Vélez Sársfield, da Argentina, conseguindo uma virada no placar agregado. Após derrota por 1 a 0 fora de casa, a equipe fez 3 a 1 em Guayaquil e se classificou para as quartas de final.


"Camisa 10 do Barcelona"

Um dos destaques do time, Damián Díaz é o famoso "camisa 10 do Barcelona". Nascido em Rosário, na Argentina, e naturalizado equatoriano, o meia é alvo de brincadeiras e comparações com Messi, que nasceu na mesma cidade e defendia o Barcelona, da Espanha, antes de atuar no PSG. O jogador é responsável pelo setor de criação e um dos nomes que o Flamengo precisa ficar de olho.


Ramon Morales, GOL TV: Damián Díaz representa a liderança, a magia dos 10 talentosos e que em um dia de futebol, ele pode fazer a diferença para você. É um jogador que em operação ofensiva e com espaços pode deixar uma defesa ou qualquer jogador em mau estado. Damian Díaz é um dos 10 melhores da história do BarcelonaSC. Mesmo muitos dizem que ele foi melhor do que Victor Ephanor. Mas isso já é mais subjetivo.

Luis Quiroz, La Red: Quem mais se destaca é Damián Díaz, é o cérebro do time, o camisa 10, o que organiza o meio-campo. Há também Byron Castillo, lateral-direito, e Emanuel Martínez, volante.

Treinador com elenco na mão

Ramon Morales, GOL TV: Fabián Bustos é um DT trabalhoso (que trabalha demais). Às vezes pouco valorizado pela abordagem que desenvolveu nas diferentes partes. Por ter dirigido o futebol equatoriano, especialmente Delfín SC em vários ciclos e Barcelona SC em quase estes dois anos, não só os fortaleceu a nível esportivo com os campeonatos, mas também os fez ganhar muito dinheiro economicamente. O Delfín SC obteve cerca de 10 milhões de dólares com a participação na Copa Libertadores, o campeonato e a venda de jogadores. Isso é muito para uma equipe de uma província como Manabí que nunca conquistou um campeonato.