Governo do AM apoia rede logística para fomentar turismo em área de fronteira na Amazônia

17 de janeiro de 2022

O desenvolvimento socioeconômico no interior do estado tem sido uma das prioridades do governador Wilson Lima, que tem apoiado diversos programas para fomentar as atividades de pesquisa aplicada e inovação em tecnologia. Uma dessas iniciativas é o projeto “Rede Logística para Atividade Turística em Área de Fronteira na Amazônia: um estudo estratégico para viabilidade socioeconômica no município de Benjamin Constant”, proposta fomentada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Interiorização em Pesquisa e Inovação Tecnológica no Amazonas (Painter).


O Painter é um programa inédito, criado para fomentar a interiorização de atividades de pesquisa aplicada e inovação tecnológica, por meio de indução em áreas estratégicas, especialmente a bioeconomia, para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Amazonas, com a finalidade de aplicação de resultados na resolutividade e minoração de problemas específicos dos municípios do interior.


De acordo com a coordenadora do projeto, mestre em Engenharia de Produção e doutoranda em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Leonor Farias Abreu, a construção da rede é realizada em Benjamim Constant pelo fato de a cidade apresentar atividades distintas de relevâncias socioeconômica, culturais e ambientais, com viés para o atrativo turístico.


Esses fatores, segundo ela, movidos pela viabilidade econômica, podem ser potencializados e impulsionados de forma estratégica no processo de desenvolvimento socioeconômico local, com reflexos positivos à região de abrangência (Atalaia do Norte e Tabatinga), especialmente após os impactos causados pela pandemia de Covid-19.


“A construção da Rede requer que se faça um mapeamento dos potenciais atrativos turísticos do município, descrevendo os fluxos físicos e informacionais de todo o processo das operações logísticas atuais, a partir do quantitativo de turistas, organizado em períodos do ano com maior e menor incidência, além do volume de recursos gerados com as atividades turísticas locais. Tabatinga/Brasil e Leticia/Colômbia são considerados aqui como os principais pontos de entrada de turistas, nacionais e estrangeiros, naquela área de fronteira, a partir dos quais os turistas podem ser incentivados a fazer de Benjamin Constant um dia de sua rota turística na região”, pontua a coordenadora.


Conforme Leonor, o projeto se encontra na fase de coleta dos dados junto aos municípios abrangentes e às agências de turismo da área, que em boa parte ficam em Leticia.


O estudo evolui com a realização de eventos internos em Benjamin Constant, como seminários sobre turismo, oficina de fotografias e mídias digitais ofertadas a jovens indígenas (intermediários entre suas mães, avós que produzem artesanato e vendem aos turistas); experiência de vendas on-line, sob a orientação do Sebrae e em parceria com a Secretaria de Turismo de Benjamin Constant).


Metodologia – De acordo com a metodologia do projeto, a partir da identificação das agências será realizada a caracterização descritiva dos fluxos físicos e de informações das operações do processo logístico praticados para a realização de atividades turísticas em Benjamin Constant, a partir dos pontos de entrada dos turistas nas cidades de Leticia/Colômbia e Tabatinga, conectados ao Porto de Benjamin Constant.


Em seguida, os envolvidos no projeto farão o mapeamento dos atrativos turísticos potenciais de Benjamin Constant, de forma a apresentar o quantitativo de turistas e o volume de recursos que foram provenientes da atividade turística no período 2010 a 2019, com a finalidade de compreender o que o município dispõe em termos de atrativos, categorizados descritivamente por grupos, a exemplo dos: naturais, culturais, eventos programados, e decorrentes de atividades econômicas específicas.


Análise das oportunidades – Na etapa seguinte será realizada a identificação e a análise dos aspectos infraestruturais do município, relacionados ao suporte para a realização de atividades turísticas de pequeno porte, tais como transporte, alimentação, mão de obra capacitada/qualificada no local do atrativo, estratégias de promoção e marketing turístico.


“Nesta etapa será utilizada a análise SWOT (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), de forma a se fazer uma análise mais detalhada quanto ao ambiente interno (forças e fraquezas), ambiente externo (oportunidades e ameaças). Nesta fase também será elaborada a Rede Logística. Em todas as etapas é necessário, além da equipe de pesquisadores e colaboradores, o suporte de bolsista de iniciação científica”, explicou Leonor.