Conflito entre Rússia e Ucrânia deixa Polo Industrial de Manaus em alerta

25 de fevereiro de 2022

Os reflexos da guerra entre os dois países europeus devem afetar diretamente a logística das indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus, gerando prejuízos econômicos


Mayane Batista

(Equipe BN)

As atenções das fabricantes do PIM se voltam para os impactos na logística dos produtos, que poderá sentir os reflexos da guerra com o aumento no preço dos combustíveis


Manaus (AM) – Os impactos econômicos causados pelo conflito armado envolvendo a Rússia e a Ucrânia, deixa o mundo em alerta. Diante da atual situação mundial o Brasil poderá ser afetado, principalmente com a inflação nos preços dos combustíveis e a dependência de fertilizantes oriundos da Rússia.


No Amazonas, os efeitos recaem diretamente na logística dos produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus (PIM), o que preocupa o empresariado local, segundo alerta o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco.


Por conta do embate entre os dois países europeus, a tendência é o aumento no preço do petróleo, o que implicará na alta dos combustíveis para o consumidor e indústrias, consequentemente haverá impacto na logística, o que para Wilson Périco afetará a logística do PIM.


“Economicamente já vemos as Bolsas (de Valores) refletindo essa situação. Podemos ter outros desdobramentos na questão dos combustíveis, além da questão logística, que pode afetar todos os demais seguimentos”, disse.

Périco destaca, ainda, que os reflexos do conflito poderão provocar a instabilidade no crescimento econômico, “podendo até ter uma suspensão de exportação e importação de matéria-prima, trazendo impacto tanto para as empresas quanto para os consumidores”, disse.


Impactos no Agronegócio amazonense

O setor do agronegócio, que já padece com a escassez de fertilizante no mercado desde o ano passado, por conta do alto custo do dólar, é outro que deverá sofrer um impacto significativo com uma possível disparada no preço do adubo.

O problema é que a Rússia, além de ser um dos países que mais compram carne suína e bovina do Brasil, também é um dos principais fornecedores de fertilizantes do mundo, e o seu envolvimento na guerra põe em xeque o futuro do fornecimento de adubo, uma preocupação para quem atua no setor do agronegócio, que já sofre com os efeitos da pandemia.


De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço da Silva Junior, no mercado mundial de fertilizante o valor do adubo já havia sofrido um aumento devido à pandemia.


“Acompanhamos desde o ano passado uma disparada nos preços de fertilizantes, principalmente com desarranjo que a pandemia trouxe para a cadeia mundial desses produtos. Essa situação pode se agravar agora com esse conflito, principalmente a partir de uma maior escassez no mercado de fertilizantes e mais aumento de preço”, destacou.


O aumento no preço do fertilizante será sentido na mesa do consumidor, pois os valores do adubo impactam diretamente no valor dos alimentos nas gôndolas dos supermercados. “Isso é preocupante, principalmente porque também impacta na produção de alimento e no seu preço”, ressalta Muni Lourenço.


É importante lembrar que o Amazonas poderia tornar-se independente no consumo de fertilizante, uma vez que os municípios de Autazes, Itacoatiara, Nova Olinda do Norte, Silves, Nhamundá, Itapiranga e São Sebastião do Uatumã, possuem uma das maiores reservas de potássio do Brasil.


Comércio de fertilizante no Brasil

Em setembro de 2021, o preço do fertilizante importado no Brasil ficou no valor R$ 2,23/Kg, um acumulo parcial de 77,0% de valorização. Esse valor ficou acima do praticado em janeiro onde estava em R$1,26/kg.

Mercado de fertilizantes depende da Rússia, o que pode trazer impactos no preço do adubo, consequentemente, dos alimentos.


O total de compra somou 4,28 milhões de toneladas em 2020, somando 3,42 milhões de toneladas, com acúmulo parcial de 25,0% no mesmo período do ano anterior.


O Brasil importou 29,11 milhões de toneladas de fertilizantes, conforme aponta dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior.